J. Lucas Jr é escritor, professor, bancário, pesquisador e memorialista. O blog, de Fortaleza CE, enfoca os acontecimentos históricos, prevalendo a história do Ceará.
domingo, 10 de novembro de 2019
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
Trairi CE - Padre Antônio Thomaz. Nomeação
Nomeação de Padre Antônio Thomaz Lourenço, futuro Príncipe
dos Poetas, para vigário da Paróquia de Nossa Senhora o Livramento, o sétimo
desde a criação da Paróquia, em 1874. Em 14 de setembro de 1894, quando completava 26
anos e três de ordenação. Dom Joaquim José Vieira foi o segundo bispo do Ceará
e estava no décimo primeiro ano do bispado. Padre Antônio Thomaz saiu em 3 de janeiro
de 1897, sendo substituído pelo Padre Graça. Retornou à sua terra, Acaraú, como pároco,
uma vez coadjutor antes de Trairi:
Fazemos saber que achamos por bem nomear o Rev°. Antonio Thomaz, como pela presente o nomeamos ao cargo de Vigário encomendado Freguesia de Nossa Senhora do Livramento do Trairi, deste bispado em substituição ao Rev°. Melchiades Augusto de Souza Mattos, dispensado nesta data. Além das faculdades para pároco que por direito são concedidas, lhe delegamos as seguintes: de absolver ou permutar votos não preservados...aplicar indulgência plena na hora da morte...benzer imagens que sejam perfeitas e tudo o mais para cuja ação precisa não seja uma especial delegação, e pregar e confessar em todo o Bispado. Esta terá vigor pelo tempo de um ano. Dada e postada nesta Câmara Episcopal do Ceará, sob nosso sinal e zelo por nossas almas, aos 14 de setembro de 1894.
Joaquim, Bispo Diocesano
segunda-feira, 15 de julho de 2019
Trairi CE - Inauguração da Ponte (Por Lucas Junior)
Um Dia de Euforia
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| Foto O Estado. 16 de julho de1961 |
Pouso
Complicado
A ventania estava forte
quando, às nove horas, avistou-se o “teco-teco”, que dava voltas em torno da
pista improvisada, pois tinha dificuldades para aterrissar no “piper” de
piçarra, a qual, apesar do susto, felizmente foi concluída sem acidente. Na
comitiva, as maiores autoridades eram o governador do Estado, Parsifal Barroso,
e o vice-presidente do Departamento Autônomo de Estrada e Rodagens (DAER), Caio
Studart. Na recepção, o vigário da Paróquia de Nossa Senhora do Livramento, o
prefeito, Antônio Silva, e o chefe político de Trairi. Resolve-se, contudo,
evitar as formalidades e um verdadeiro cortejo humano, autoridades e a
comunidades, caminharam até o centro da cidade.
Passeata
pela Cidade
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Passeata pela ponte
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O
Governador Ora na Igreja
Após a inauguração, a passos
rápidos, dirigiram-se à Matriz do Livramento, onde o governador orou, segundo o
próprio pedindo “por ele e pelo município”, terra em que estivera, quando, aos
25 anos, iniciava as carreiras de advogado e professor do Liceu do Ceará. Depois
de ouvir os pedidos de Padre Alberto, constaram visitas ao Grupo Escolar
Raimundo Nonato Ribeiro e à velha Cadeia Pública, em precárias condições, do
lado direito do casarão dos Granja.
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| Rua dos Cururus (Tolentino Chaves). O primeiro logradouro da cidade. Foto O Estado. |
Recitação
e Reivindicações
Já na residência de José
Granja, o coral do Grupo Escolar recepcionou a comitiva com cânticos ensaiados
por Dona Olga Ribeiro, Maestro Silva Novo, e pelas professoras. Algumas
reivindicações foram feitas ao governador, que retribuiu os manifestos de
carinho, prometendo reformar a Cadeia Pública (na verdade foi construída
outra), reequipar a escolar e melhorar o acesso até o vizinho município de São
Luís do Curu. Já a pequena Ângela Freire Ribeiro, filha de Zé Granjinha e de
Olga Nunes Freire Ribeiro, recitou um belo verso, recebendo o carinho de
Parsifal Barroso.
Promessas
O governador solicitou da
prefeitura a indicação de uma área a ser doada e onde se instalaria uma unidade
sanitária dentro das características propostas pela Secretaria de Saúde do
Estado. Completou: “Não sabia que jamais havia estado em Trairi um governador.
Somente agora posso medir esta alegria que, de fato, senti em todos os
semblantes, esse abrir de corações que, por toda a parte, palpitou bem perto
mim, fazendo-me o vosso contentamento. Assim, a data de hoje é histórica,
porque é a primeira vez que um Chefe do Executivo vem a Trairi. E por que é essa data é histórica? Deve ser porque, como
disse o vigário, Padre Alberto, a data que marca um nova vida , abrindo uma
nova perspectiva, dando a todos a confortadora certeza de que os problemas de
Trairi começaram a ser conhecidos e atendidos. Estabeleçamos aqui um pacto
cordial e sagrado, de sempre marcharmos juntos para a conquista dos benefícios
de que necessita esta terra generosa”.
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| Histórico cortejo da Igreja de Nossa Senhora do Livramento ao Grupo. |
Tempos
difíceis antes da ponte
Conforme
o historiador, Professor Batista Santiago:
“Havia um aparato artesanal com estrutura apenas de madeira. Era um grande jirau de carnaúbas. Sobre elas as pessoas atravessavam o rio, usando todo seu equilíbrio e com muito medo de facilitar e cair, principalmente quando o rio estava cheio. Era um risco tremendo. Imaginem como era complicado. Mas muita gente passava, levados por determinadas necessidades. Quem no inverno tivesse que apanhar transporte no outro lado do rio, tinha que caminhar pela antiga Rua dos Cururus (hoje Tolentino Chaves) até o local desejado. Muitos paravam na casa do saudoso Cortiço, cuja casa era a última da citada rua, nas proximidades do atual posto de gasolina. Cortiço era homem hospitaleiro e prosador. Dava gosto chegar à casa dele”.
“Nesse tempo, grandes invernos em Trairi causavam transtornos. Quando algumas carnaúbas caíam danificando o processo de travessia, alguns passavam nadando ou segurando em uma longa corda amarrada de um lado a outro do rio, principalmente quem não tinha dinheiro para pagar aos donos de canoas. Contudo, existia pelo menos duas ou três canoas a serviço de quem podia pagar pela travessia. Imagino que os senhores José Florêncio (Zé Mugango) e Fransquim Maneco, eram donos de canoas que faziam esse serviço”.
“Durante o período do verão, não precisava de ponte; o rio baixava o nível e até ficava seco naquele trecho, facilitando os pedestres, cargas de animais e algum jeep ou caminhão misto passarem tranquilamente. Já no inverno, nenhum veículo chegava às ruas de nossa cidadezinha. Todo veículo ficava do outro lado, precisamente nas proximidades da casa do Sr. Zeca Tibúrcio, onde, no período ficava localizada a Agência de venda de passagens. Que velho tempo!”
Fontes:
Jornais dos Diários Associados: Correio do Ceará e Unitário. O Estado e Tribuna
do Ceará.
Fotos: O Estado e Diários Associados.
Fotos: O Estado e Diários Associados.
Agradecimento:
Professor Batista Santiago.
quarta-feira, 13 de março de 2019
Brasil e Ceará - Quedas da Monarquia e do Primeiro Governo Republicano
A Monarquia x Igreja
A partir da década de 1870, a Igreja Católica e o Exército tiveram sérios atritos com o governo imperial. Em 1874, a crise entre a Igreja Católica e a monarquia tornou-se grave. Foi quando o imperador D. Pedro II mandou prender bispos de Olinda e Belém, condenados a quatro anos de trabalhos forçados por terem proibido os católicos de suas dioceses de participar de atividades da Maçonaria. A atitude revoltou a direção da Igreja, que protestou energicamente contra a medida autoritária do imperador.
Por outro lado, parte da oficialidade do Exército começou a se afastar da monarquia após a Guerra do Paraguai (1865 - 1870). Durante a mesma, muitos oficiais viajaram para países de regime republicano e voltaram criticando a monarquia, principalmente a corrupção, que, segundo eles, era praticada pelos políticos corruptos “aproveitando-se da miséria do país”. Em 1884, o governo proibiu os oficiais de se manifestarem via imprensa sem autorização do Ministro da Guerra.
A Queda da Monarquia
Adoentado, o Imperador D. Pedro II afastava-se cada vez mais das crises e decisões do governo. Com as ideias republicanas espalhando-se pelo Brasil, cafeicultores paulistas, operários e a classe média, influenciada por setores privados industriais ingleses, procuravam mais espaço político e os desentendimentos cada vez maios proeminentes pressionavam a monarquia. Republicanos militares, como Benjamin Constant e Quintino Bocaiúva, procuravam o apoio do então monarquista e amigo do imperador, marechal Deodoro da Fonseca, fundador e presidente do Clube Militar, que sempre defendera os militares perseguidos e de confiança sobre tropa. Ele que viria a demitir, em 15 de novembro de 1889, o Conselho de Ministros, assumindo o seu comando e assinando, naquela noite, o manifesto de proclamação da República. Na madrugada seguinte, 16, D. Pedro II recebeu a comunicação da mudança de regime e a intimação para deixar o Brasil em 24 horas. Na noite de 17 para dezoito de novembro a família imperial partiu para a Europa. Iniciava-se o período republicano.
A Influência do Imperialismo
A independência dos países da América Latina, no início do século XIX, não alterou o processo do antigo “pacto colonial”, no qual a economia das colônias complementava à das metrópoles, ou seja, cultivava matérias primas e destinava seus metais preciosos para o mercado europeu. Os novos países não romperam com as estruturas sociais e econômicas construídas durante o período colonial.
A grande propriedade, latifúndio, manteve-se com base na monocultura tropical para exportação, persistindo, no caso do Brasil, a mão de obra escrava e o poder nas mãos da aristocracia rural e dos grandes comerciantes. Uma sociedade fechada e voltada às modas e costumes do Velho Continente. Isso impossibilitou o desenvolvimento econômico-social como nos Estados Unidos, igualmente independentes. Nesse sentido, com a riqueza concentrada numa minoria, recorreu-se ao capital estrangeiro.
Foi o caminho trilhado pelas elites educadas na tradição conservadora da Península Ibérica, acomodadas às enormes desigualdades sociais e habituadas a consumir produtos de origem europeia. Para ela, seria cômodo e interessante ceder à dominação econômica dos países capitalistas industrializados, principalmente da Inglaterra, que fornecia artigos modernos e de qualidade em troca de produtos primários.
Esses empréstimos se davam por duas vias. Uma pelo capital publico, dos governos; e privado, oriundo de bancos particulares. A outra eram investimentos diretos de capital, principalmente em mineração, operações financeiras, comércio de exportação e importação, transportes (ferroviários e companhias de navegação) e serviços públicos urbanos, como a iluminação a gás e linhas de bonde. Nesse caso, as empresas estrangeiras investiram, instaram-se e administraram os negócios no Brasil, levando praticamente todas as receitas.
Os países da América Latina, embora independentes, passaram a manter com as nações industrializadas uma relação de independência econômica. Entretanto, seus governos não poderiam manter esse tipo de relação sem a aprovação das elites dominantes.
República dos Marechais
A proclamação da República no Brasil partiu de um movimento de cúpula controlada, em primeiro momento, pelos militares e pelas elites agrárias. Não se preocupou em trabalhar por mudanças estruturais e econômicas. Tratou-se da mudança de um Estado unitário imperial pelo Estado federativo. O setor agrário, a grande propriedade rural, ainda voltado à exportação, conservou a política bem longe da reforma agrária, sustentada no coronelismo do interior e oligarquias agrárias. A implantação da República não foi fruto de um processo revolucionário em que os grupos populares tenham participado ativamente, nem ampliou a representação política no país, uma espécie de realinhamento entre os grupos dominantes, continuou sendo exclusão social, política e econômica de grande parte da população.
O Golpe Militar

Deodoro e seu ministérios
Os líderes do
movimento republicano escolheram provisoriamente, enquanto aguardava a nova
constituição, o marechal Deodoro da Fonseca, um antigo monarquista, líder do
Exército, ex-combatente da Guerra do Paraguai e amigo de D. Pedro II, o novo
chefe do governo. Ele compôs o ministério com civis e militares engajados nas
mudanças, como Quintino Bocaiúva (relações Exteriores), Campos Sales,
representante dos cafeeiros paulistas (Justiça), Benjamin Constant (Guerra) e o
famoso jurista Rui Barbosa para o Ministério da Fazenda. O País passava a ser
uma República Federativa com o nome de Estados Unidos do Brasil, sendo as
províncias transformadas em estados, adotando, uma nova bandeira com o lema “Ordem
e Progresso” e a convocação de uma Assembleia Constituinte.

Constituição de 1891
Convocada nos primeiros dias do governo republicano, a Assembleia Constituinte só deu início a seus trabalhos em novembro de 1890. Apenas três meses foram suficientes para a sua conclusão, entrando em vigor em 24 de fevereiro de 1891. Baseada na Carta norte-americana, e revisada por Rui Barbosa, dava maior autonomia aos estados. Ela elegeu oficialmente o marechal Deodoro da Fonseca presidente da República, derrotando o representante da oligarquia cafeeira paulista, Prudente de Morais. O vice-presidente eleito o militar Floriano Peixoto. A seguir, transformou-se em Congresso Nacional constituído em Senado e Câmara dos Deputados. Até a reforma eleitoral de 1881, na Monarquia, as eleições eram indiretas e censitárias, mas a nova Constituição baixou de 25 para 21 anos a idade com direito a voto direto sem exigência de renda, voto masculino dos alfabetizados que representavam apenas 2% da população.
Rui Barbosa e a Economia
A abolição da escravidão e a migração europeia criaram um número maior de assalariados. Isso carecia de maior injeção econômica. Somados ao comércio interno engatinhando, chegava o momento da ousadia. No comando da equipe financeira, a principal preocupação de Rui Barbosa foi transformar o Brasil numa república capitalista, promover uma profunda mudança na economia, atentando para o crescimento da industrialização, o que só seria possível, na sua avaliação, se houvesse recursos para investir na produção. Afinal, com a Europa duvidando do sucesso do novo regime, o Brasil não conseguiu empréstimos estrangeiros. Entretanto, praticamente sem dinheiro para investimento, a saída foi criar linhas de credito e aumentar o volume de papel-moeda em circulação.

Caricatura de Rui Barbosa anunciando o desenvolvimento
Em janeiro de 1890,
iniciou-se uma política financeira que permitia quatro bancos, situados no Rio
de Janeiro, Salvador e Porto Alegre, emitirem dinheiro praticamente sem
controle governamental. Houve forte incremento de volume de negócios no país,
sendo fundadas, somente naquele ano, 313 empresas, muitas delas “fantasmas”,
com o objetivo de tomar dinheiro emprestado. A maioria tinha como meta a venda
de ações para obtenção de lucros fáceis no mercado financeiro. Nos dois
primeiros anos o aumento da quantidade de dinheiro em circulação foi espantoso,
provocando onda especulativa na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Encilhamento e a Crise
A febre por “investimentos” financeiros recebeu o nome de “encilhamento”, devido à semelhança que existia entre a barulheira feita na hora fechamento dos negócios na bolsa de valores, lembrando as jogatinas das corridas de cavalo e à agitação durante o fechamento das apostas na hora em que se colocavam cilhas (arreios) nos animais.

Caricatura do "encilhamento"
A produção interna,
porém, não cresceu. Procurando o alinhamento, Rui Barbosa tomou medidas que
aumentaram tarifas alfandegárias, protegendo a produção industrial sobre
produtos estrangeiros que tivessem produtos similares no Brasil. Mas
prejudicava a burguesia agrária latifundiária exportadora e os investimentos
internacionais. Avaliou mal a importância daquele setor, que representava ¾ das
exportações brasileiras. São Paulo, cujos bancos, ligados aos cafeeiros,
boicotara o plano econômico, aumentou a pressão por ajustes. Queria apoio para
participar também do processo de industrialização, o que não aconteceu.

Em 1891 ocorreu acentuada queda nos preços das ações, o princípio de um desastre. Com a alta dos preços dos produtos cresceu a inflação, de 1,1 % em 1889 para 89,9 % em 1891, não demorando muito para que uma série de crises financeiras abalasse o país. A euforia deu lugar a sequencias de falências de empresas e de estabelecimentos bancários. Fortunas foram levantadas e destruídas nesse pequeno intervalo de tempo.
Assim, vendo seus interesses em risco pela nova política econômica, bancos ingleses e franceses ameaçaram abandonar o País. O ministro, estudioso em legislação, reagiu citando a obrigatoriedade de seguirem os estatutos aprovados, obrigando-se às leis e regulamentos vigentes. E dessa forma os segurou, no entanto sem forças para superar o discurso pessimista e ameaçador da oposição.
Tanto os fazendeiros, sempre de olho no poder, como as empresas estrangeiras, contra a industrialização rápida e para continuar exportando para o Brasil, começaram a forçar o afastamento do ministro Rui Barbosa, sendo claro o aviso ao presidente. Pressionado, Deodoro demitiu o ministro da Fazenda, colocando em seu lugar um monarquista conservador, o Barão de Lucena, que defendia o predomínio agrícola. Desse modo, o outro lado, industrialista, reclamou. Os dois lados reivindicando e a crise cada vez mais presente.
A Queda de Deodoro
Deodoro da Fonseca, visto como autoritário, enfrentou forte oposição desde o início do seu governo. Em agosto de 1891, os parlamentares tentaram aprovar uma lei limitando os poderes do presidente. Em resposta, ele fechou o Congresso e decretou estado de sítio, com novas eleições parlamentares, ferindo a Constituição Federal e desencadeando uma rebelião interna liderada pelo almirante Custódio de Melo. Com os navios de guerra apontando seus canhões para a cidade do Rio de Janeiro, os revoltosos exigiram a renúncia do presidente. Sem apoio para reagir, Deodoro da Fonseca deixou o cargo em 23 de novembro daquele ano. O seu vice, Floriano Peixoto, também remanescente da Guerra do Paraguai, assumiria o governo em meio ao primeiro golpe da República iniciada a partir de outro golpe. Mais um representante militar no novo regime sem conhecimento da sua doutrina.
O Ceará na República de Deodoro
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Estátua de D. Pedro II
na Praça Caio Prado (Sé).
Fortaleza CE
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Embora existisse em Fortaleza a União Republicana e o Centro Republicano, fundado em 9 de junho de 1889 por expoentes da literatura como Papi Junior, João Cordeiro e Antônio Sales, os civis praticamente não se manifestaram. Grupos isolados saíram às ruas de Fortaleza em protesto contra D. Pedro II. Placas que lembravam o antigo regime foram arrancadas e substituídas por nomes ligados à causa republicana. Dirigiram-se ao Palácio da Luz, sede do governo, proclamando o cidadão Luiz Antônio Ferraz (Coronel Ferraz), governador do Estado Livre.
Coronel Ferraz dissolveu o poder legislativo municipal e criou o Conselho de Intendência Municipal. O novo processo de sistema de representatividade democrática, agora sem os tradicionais partidos, Conservador e Liberal (este dominante, embora dividido, no final da província), entretanto, não surtiram avanços. Continuou dentro dos padrões antigos, mantendo o eleitorado fidelidade ao chefe distrital, o “voto de cabresto”.

Clarindo de Queiroz, governador do Ceará
Após a morte
prematura de Coronel Ferraz em 10 de fevereiro de 1891, assumiu interinamente o
governo estadual o major Benjamim Liberato Barroso, sendo logo substituído pelo
titular, o general José Clarindo de Queiroz, em 28 de abril de 1891, enquanto o
outro seu vice. “Herói” da Guerra do Paraguai e ex-presidente da Província do
Amazonas (1879), o novo dirigente não teve paz. Enfrentou um período
turbulento, instável, de forte oposição à sua administração.

O então deputado Nogueira Accioly, presidente da Assembleia Legislativa, fundador da União Republicana (1890) e sogro do líder liberal, o falecido Senador Pompeu, estaria por trás de uma série de manifestações que tinham como objetivo a queda do governador a partir de dúvidas quanto à lisura do pleito congressual dos governos federal e local.

Gal. Freire Fontenelle, ainda coronel, em 1880
Acusava-se Clarindo
de Queiroz de influir nos resultados eleitorais. Em seguida veio o
desentendimento entre os policiais do Estado e alunos da Escola Militar de
Fortaleza, um conflito que cresceu em poucos dias, tornando-se insustável o
diálogo. O governador não concordava com as exigências dos alunos, que pediam
demissões na esfera administrativa. Em meio às prisões de manifestantes e clima
de tensão na cidade, com muitos moradores abandonando suas casas temendo uma batalha
desastrosa, veio a queda do presidente da República, entrando em cena o tenente-coronel
José Freire Bezerril Fontenelle, que fora deputado constituinte.

Bezerril Fontenele, comandante da Escola Militar, tendo em vista a falta de apoio do novo presidente Floriano Peixoto ao comandante cearense, procurou convencer Clarindo de Queiroz a renúncia, o que não aconteceu formalmente. O governador do Ceará sequer atendeu a solicitação de Floriano para que fosse ao Rio de Janeiro para tratar de “assuntos militares”, só cumprindo o chamado legalmente, caso o legislativo autorizasse.
No dia 16 de fevereiro de 1892, os alunos da Escola Militar, apoiados por tropas navais e de infantaria, incentivados por seus oficiais, cercaram o Palácio da Luz. À tarde, veio o tiroteio, destruindo a praça do largo, mas sem maiores danos ao histórico prédio. A estátua do General Tibúrcio, porém, foi ao chão, e segundo relatos tombou de pé. Pela manhã, contando apenas com a lealdade do conselheiro Rodrigues Junior, o governante se rendeu, partindo para o Rio de Janeiro, onde morreu pouco depois de prisão e tortura.
Assumiriam o governo do Ceará, após a interinidade de Liberato Barroso, aqueles que arquitetaram a queda do anterior, os florianistas José Freire Bezerril Fontenele, com posse em 27 de agosto de 1892, numa opulenta repressão aos deodoristas; e Nogueira Accioly, que com habilidade, conseguiu a fusão do Centro Republicano com a União Republicana, e daí a fundação do Partido Republicano Federalista, dando total apoio a Floriano Peixoto. Iniciava o período do predomínio da oligarquia acioliana.
Fontes bibliográficas:
História do Brasil. Costa, Luís César Amaud. Ed. Scipione. 1999.
História & Vida Integrada 7. Piletti, Nelson; e Piletti, Paulino. 2002
História do Ceará. Souza, Simone (coordenadora). Fundação Demócrito Rocha, 1989.
História do Ceará. Aragão, Raimundo Batista. IOCE, 1982.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
Narcélio Limaverde - 65 Anos de Rádio
Amor ao Rádio
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Anos 1960. TV Ceará e o
patrocínio da loja A Cruzeiro.
(Diários Associados) |
De um microfone aos lares de milhares de cearenses, (José) Limaverde encantava as noites das segundas feiras, nos idos de 1940/50, pela PRE 9, a saudosa Ceará Rádio Clube, extinta. Tratava-se da adaptação da obra de Raymundo de Menezes, “Coisas que o Tempo Levou”, para a comunicação auditiva, uma audiência incontestável, compartilhada por outro programa, “A Hora da Saudade”, com o mesmo apresentador. Limaverde, um bancário do respeitado Frota & Gentil, um dos fundadores da Escola Dramática de Fortaleza, consagrada pela peça “O Mártir de Gólgota”, anualmente no Theatro José de Alencar, na qual o próprio interpretava Pôncio Pilatos.
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| Com os pais e a irmã, Reine (Foto Marciano Lopes) |
Dos três filhos com Dona Leda, Reine, Narcélio e Paulo, os dois homens se dedicaram ao mesmo ofício do pai. Porém, Narcélio encarnou uma paixão que orgulha a classe, afinal mantém a tarefa diária, um apaixonado pelo rádio. No dia 1 de fevereiro de 1954, na PRE 9 do seu pai, o futuro renomado locutor estreava. Muito jovem, passou no teste e trabalhou ao lado de Augusto Borges no programa “Segurança Marginal”. 65 anos de rádio, em várias emissoras, e em vida superados apenas por Augusto Borges, que parou no ano passado com o fim da Ceará Rádio Clube. Mas paralelo a isso, a labuta incluia a TV (Canal 2 e Canal 10) e jornais, destacando-se na Tribuna do Ceará com a coluna Dia a Dia, assim como funcionário da Teleceará. Um trabalhador.
Narcélio Limaverde encerrou a longa carreira na Rádio Assembleia 96.7 FM de segunda à sexta feira pela manhã. Para os saudosistas, entretanto, a audiência comove, pois remete, com a coluna “Fortaleza Antiga”, aos passos do pai, o velho e paciente Limaverde, às lembranças da mansidão da cidade que amamos. E isso é História.
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| 1974. Em sua coluna, na Tribuna do Ceará, agradece o nome do pai a principal via da Barra do CE |
O comunicador insiste, com toda a razão, nas memórias do Pega Pinto do Mundico, botequim na Praça do Ferreira, mudando-se forçadamente para outros dois endereços; e das lojas que marcaram o seu tempo: A Cearense, Flama, Casas Novas, Broadway, Loja das Variedades, Casa Vilar, Zuca Accioly, Rianil, Ótica Simão, Casa Parente, Duas Américas, Lojas 4400, Sapataria Grã Fina, Casa das Máquinas e Ótica Sansão. Lembranças do Abrigo Central (e das brigas entre Bodinho e Pedão da Bananada), da Rotisserie, do Bar da Brahma e do Majestic; das padarias Lisbonense, Moderna, Estrela e Palmeira; das farmácias Galeno, Osvaldo Cruz e Pasteur; dos restaurantes Popular e Central; dos bons tempos dos cinemas, principalmente do Cine Centro, na Av. Tristão Gonçalves com Duque de Caxias, o mais próximo da sua casa. Narcélio carrega isso na memória, conhecendo cada proprietário. Sem esquecer do carnavais e as peripécias do Zé Tatá.
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| 1973. Rádio Verdes Mares com Nazareno Albuquerque e Mardônio Sampaio. (Tribuna do Ceará) |
Da antiga Rua do Imperador, residindo numa modesta casa de duas portas, onde não podia faltar um bom aparelho de rádio, para a Aldeota. O tempo é traiçoeiro, a modernidade atropela a simplicidade. Só forças (e um microfone, um rádio e um bom locutor) para encará-lo. Sei que se pudesse voltaria no tempo. Tomando “bãe de chuva” nos jacarés da Imperador à hora do pobre num cinema qualquer. Viver já valeu à pena. Mas vale mais comemorar estes 65 anos. Parabéns.
No dia 26 de janeiro de 2022, aos 90 anos, após 68 anos de atuação radiofônica, Narcélio Limaverde não resistiu ao tratamento de pneumonia no Hospital Otoclínica. Deixou a esposa, Helenira Leite Limaverde, quatro filhos, sete netos e duas bisnetas. Descanse em paz ao lado dos seus pais e dos colegas.
Por J. Lucas Jr.
Fonte: Coisas que o Tempo Levou - A Era do Rádio no Ceará - 1994 (Marciano Lopes)
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| Reine Limaverde, irmã, com 6 anos. (O Povo) |
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| 1941. Concurso para locutor. Exigências. (O Nordeste) |
terça-feira, 23 de outubro de 2018
Instituto Tonny Ítalo - Ação Social das Crianças e Outubro Rosa 2018
Para quem chegou um pouco atrasado a vista lá de cima do Barrocão era envolvente. A fila chegava a 100 metros, evidenciando as previsões da diretoria e colaboradores de que realmente contaríamos com elevado número de pessoas. Um crescimento que evidencia o empenho do voluntariado. Todo um processo elaborado durante reuniões, e delas os contatos, os ofícios em busca de apoios, os apelos pelas redes sociais, e, acima de tudo, muito trabalho individual e coletivo.
Os esforços não foram em vão. A criançada se esbaldou em mais um evento da qual a protagonista. Divertiram-se em cada brinquedo, degustaram dos lanches, interagiram nas diversas oficinas. Pelas imagens, o Instituto e a sua gente, pequenos com seus pais, parentes e amigos, numa alegria contagiante, a qual todos os parceiros são os grandes ativos do prazeroso retorno social. A fotografia desse momento, porém, leva-nos a refletir sobre os caminhos percorridos, as adversidades inerentes ao mundo ambicioso e injusto, buscando os melhores meios, as alternativas mais viáveis para a concretização de um evento pela vida.
No meio do caminho pisamos em espinhos, mas seguimos em frente. Foram meses de muito trabalho, dificuldades financeiras e testemunhas do grande problema mundial, a violência. Perdemos alguns colaboradores por causa dela, pessoas que participaram de nossos eventos vítimas de um mal que nos amargura, o tráfico de drogas e suas consequências arrasadoras. E como as nossas ações visam alternativas para afastar os núcleos familiares desse mal nos assola, precisamos agir e resgatar valores através da educação e da arte.
Concluímos, felizes, que das palestras e contatos diretos, efetivou-se mais retorno por parte dos assistidos, que ajudam na limpeza e manutenção do sítio. Por isso, numa localização privilegiada, esse asseio, em meio ao privilégio do contato com a natureza, nos é recompensado pelas observações dos transeuntes e visitantes, elogiando o espaço como o mais belo da região.
A maior temática foi a paz. Nas paredes, nas árvores, pinturas de rostos, em todas as direções a constatação do foco, que veio neste ano a contento. Como exemplo foi a apresentação musical de Tia Vera, do Projeto A Casa dos Sonhos, em todos os matizes a práxis do evento: paz.
Ponto alto, e, para muitos, surpreendente, a Oficina de Bordado, aos cuidados da professora Lúcia, com forte participação da criançada masculina, oferecendo oportunidade de contato e prática com a arte nordestina. Foi das mais concorridas e aplaudidas, assim como a terapeuta Camila, com as suas habilidades de esteticista. Já o Espaço Saudável nos proporcionou um espaço ao acolhimento psicológico com a Dra. Débora Pio, sendo importante ressaltar as presenças do casal de médicos cubanos João Almeida /Taís Matos e da presidenta da AFBNB, Rita Josina, nossa colaborara em todos os eventos, do Conselho Fiscal do InsTI.
Diante da interação entre as parcerias na realização do evento(Fórum de Mulheres no Fisco e Voluntários da Alegria) fortaleceu-se com uma experiência mais rica e organizada, resultando em rostos infantis como em sonhos, numa felicidade que poderia ser duradoura. Uma comunidade ciente de que o espaço do Instituto Tonny Ítalo se consolidou como a via de intermediação dela com os objetos de sustentação social. Provou-se que cada morador é um articulador desse intercâmbio entre os dilemas coletivos e as soluções, daí a responsabilidade em preservá-lo.
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
Fortaleza E.C. 100 Anos. A Origem do Clube da Belle Époque
Território dos Gentios
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| (FEC) |
O ex-soldado Martim Soares Moreno, nomeado primeiro capitão-mor, fundou, na Barra do Ceará, o Forte de São Sebastião em 1612, contando com uma ermida, sob evocação de Nossa Senhora do Amparo, aos cuidados de um padre, solicitação sua ao El-Rei. Seria o fundamento para a colonização pretendida em 1603, frustrada devido à falta de recursos e um projeto sem continuidade. Contudo, suas ausências, devido às campanhas no Maranhão, Rio Grande do Norte, Bahia e moradia em Pernambuco, deixaram o Ceará entregue a um corpo policial praticamente desprotegido.
Apenas em 1621 Moreno introduziu a criação de gado vacum, equino e o cultivo da cana de açúcar. Mas a incompetência do sucessor no comando do forte, Domingos da Veiga Cabral, seu sobrinho, indispondo-se com os portugueses e com os índios da Barra do Ceará, puseram freio à tentativa de colonização progressiva.
Fortaleza Holandesa
A colonização criou corpo durante o segundo capítulo da presença holandesa, ou seja, com Mathias Beck, a partir de 1649. Uma pequena vila surgiu em volta da fortificação que ele criou, aproveitando as estacas do antigo São Sebastião, no "Marajaig", atual 10° Região Militar, destacando-se o Riacho Pajeú ainda com águas puras. A presença flamenga primeiramente se voltou ao estudo e exploração de minérios. Após a negativa dos achados, introduziu uma administração organizada de acordo com as regras da capital do Brasil Holandês, Pernambuco, por sinal avançadas. Protestante e em choque com os judeus, deixou pacificamente o Ceará em 1654, após a rendição do príncipe Maurício de Nassau frente aos portugueses.
Álvaro de Azevedo Barreto, capitão-mor, tratou de mudar o nome do forte para Nossa Senhora da Assunção e avançar no povoamento, mas esqueceu dos índios e com eles teve um péssimo relacionamento. O Ceará pertencia ao Maranhão desde 1621, passando para a capitania de Pernambuco em 1656, permanecendo até 1799. Um período de negligência portuguesa e de estagnação econômica e social. Sua autonomia a partir daquele ano finalmente permitiu um avanço, ainda que lento, rumo ao progresso.
Produção e Comércio
A partir daquele século, com a consolidação da pecuária no solo cearense, a economia local experimentou a sua primeira etapa de crescimento. As charqueadas, oficinas de carnes salgadas, enriqueceu muitas famílias nobres, surgindo estradas e portos marítimos para evacuar as produções. Em seguida a bonança do algodão, o “ouro branco”, no século XIX, e o surgimento da estrada de ferro ativaram o comércio nas grandes cidades, partindo Fortaleza para destaque de maior centro econômico do Estado. Evidenciava-se a riqueza concentrada em comerciantes, uma sociedade elitizada e influenciada pela cultura francesa, um período de inspiração francesa conhecido por “Belle Époque”.
Foot-Ball
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(Campo do Passeio Público, 1904 - Instituto do Ceará)
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| Prof. José Silveira (Correio do Ceará) |
Stella e Fortaleza
Segundo José Silveira, em 1908, após o retorno de estudantes cearenses que estudavam na Europa, foi fundado o Stella Foot-Ball Club por João da Frota Gentil, futuro diretor geral do Banco Frota Gentil e fundador do Colégio São João. Possuía o nome da escola e time em que os cearenses estudavam e jogavam, Stella Matutina, em Feldkirch. Curioso que essa cidade pertence à Áustria, podendo haver um erro histórico quando associamos ao país vizinho. As cores, branca e vermelha, lembravam as da bandeira suíça ou austríaca. Os demais jovens dirigentes eram: Adriano Deodato Martins, Bruno Menescal, José Raimundo da Costa, Oscar Loureiro, Pedro Albano, Paulo Menescal , Ademar Albuquerque e ele, Zé Silveira. Disputava jogos no Passeio Público e na Praça da Lagoinha.
Assim permaneceu por anos, quando, em 1912, época em que passou a ser usado o Campo do Prado, no Benfica, destacavam-se o English Teen (cearense fundado em 1908) e o Rio Negro. Contudo, ainda naquele ano surgiriam o Maranguape e o Rio Branco, que originou o Ceará Sporting Club, o rival do Stella Foot-Ball Club, que fincou as bases da fundação do Fortaleza Esporte Clube (Sporting na época), sendo um braço de uma equipe amadora da época, o Fortaleza Foot-Ball Club, fundado por Alcides Santos, cuja existência foi registrada pela revista carioca O Malho durante um amistoso contra o Almirante Barroso, time de marinheiros do Rio de Janeiro, em 1914.
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| Alcides Santos (Instituto do Ceará) |
Em 18 de outubro de 1918, Alcides Santos, então com 29 anos, funda o Fortaleza Esporte Clube e revoluciona o futebol cearense, investindo na infraestrutura e beneficiando não apenas o seu Clube como o conjunto que fazia o esporte local. Doou o terreno no Alagadiço (atual Av. Bezerra de Menezes), mais espaçoso do que o do Passeio Publico, o do Campo do Prado (ao lado do futuro PV) e fundou a Associação Desportiva Cearense (ADC), o primeiro órgão federativo oficial do Estado, em 1920. Pela efervescência do glamour francês de então, suas cores tricolores são alusivas à bandeira daquele país. Os dirigentes eram os mesmos do Stella mais Clóvis Gaspar, Jayme Albuquerque, Clóvis Moura e Walter Olsen, de família dinamarquesa estabelecida na cidade. O futuro do Clube o Brasil é testemunha. Só emoção e orgulho para a sua apaixonada torcida.
José Silveira, o introdutor do futebol cearense e jogador do Stella.
Filho de José Maria Silveira e de Glória Maria Carneiro Silveira, portugueses, José Silveira nasceu em Fortaleza em 29 de setembro de 1882. Partiu para a Europa em 1898, aos 16 anos, para estudar no Instituto Internacional Dr. Schmidit, na Suíça, estando ao lado de colegas de diversas nacionalidades. Com o futebol local em evidência, jogou como center-half (volante) pelo Rosemberg FC, pertencente à instituição, que seria a segunda maior força do País, superada pelo Grasshopper (Gafanhoto).
De volta à terra alencarina, municiado de bolas e com o livro de regras, constatando que os conterrâneos não sabiam praticar o esporte, procurou um inglês, sócio da firma Leite Barbosa, marinheiros e engenheiros ingleses para um racha contra os cearenses, que contavam com o próprio, Zé, mais Prisco Cruz, Julio Sá, Marcondes Ferraz, J. Queiroz, J. Henrique e quem se dispusesse a encarar o sol e a nova modalidade esportiva. Isso no segundo piso do Passeio Público, em frente ao Gasômetro, que ficava na descida da Santa Casa de Misericórdia, sentido praia. 2x1 para os ingleses.
José Silveira concluiu estudos em Fortaleza em 1909, na Faculdade de Direito. Professor de Línguas do Liceu do Ceará e da Escola Normal, lecionou por cinquenta anos. Falava inglês, francês, espanhol, alemão e italiano. Disse para o Correio do Ceará em 1963: “Dediquei a minha vida ao nobre ofício de ensinar, mas faço questão de frisar: nunca pedi emprego ou posição para mim. Devido a esse retraimento sempre fui um esquecido”.
Foi prefeito de Trairi CE e deputado estadual.
Fontes: História do Campeonato Cearense de Futebol (Nirez), Jornal Correio do Ceará (1963) e Jornal A República (1903).
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